domingo, 31 de outubro de 2010

Halloween, Samhain, Bruxas e Deusa Tríplice

O Dia das Bruxas (Halloween é o nome original na língua inglesa) é um evento tradicional e cultural, que ocorre nos países anglo-saxônicos, com especial relevância nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, tendo como base e origem as celebrações dos antigos povos.

Origem Pagã

A origem pagã tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos. A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 A.C.) acabou mesclando a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo. Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades. Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada sobre ela: tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe-se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de novembro (a meio caminho entre o equinócio de verão e o solstício de inverno). Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam início ao ano novo celta. A "festa dos mortos" era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para nós seriam "o céu e a terra" (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. A festa era celebrava com ritos presididos pelos sacerdotes druidas, que atuavam como "médiuns" entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.

Origem Católica

Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar "Todos os Mártires". Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV († 615) transformou um templo romano dedicado a todos os deuses (Panteão) num templo cristão e o dedicou a "Todos os Santos", a todos os que nos precederam na fé. A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas o Papa Gregório III(† 741) mudou a data para 1º de novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse celebrada universalmente. Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e "All Hallow Een" até chegar à palavra atual "Halloween".

Uma bruxa é geralmente retratada no imaginário popular como uma mulher velha e encarquilhada, exímia e contumaz manipuladora de Magia Negra e dotada de uma gargalhada terrível. É inegável a conexão entre esta visão e a visão da Hag ou Crone dos anglófonos. É também muito popularizada a imagem da bruxa como a de uma mulher sentada sobre uma vassoura voadora, ou com a mesma passada por entre as pernas, andando aos saltitos. Alguns autores utilizam o termo, contudo, para designar as mulheres sábias detentoras de conhecimentos sobre a natureza e, possivelmente, magia.
A Arte das Bruxas como era feita antes é chamada de Bruxaria Tradicional, ainda remanescendo até os dias atuais em grupos seletos, via de regra ocultos. Hoje também pode-se encontrar uma vasta quantidade de livros e sites que explicam a "Antiga Religião" mas geralmente se tratam de Wicca, pois os membros de grupos de Bruxaria Tradicional costumam preferir o ostracismo, revelando-se publicamente apenas em ocasiões especiais ou para que novos candidatos os localizem.

A Wicca é uma religião basicamente duoteística que crê tradicionalmente na Mãe tríplice e no Deus Cornífero. Estas duas deidades são muitas vezes vistas como facetas de uma divindade panteísta maior, ou que se manifestam como várias divindades politeístas. No entanto, há também outras posições teológicas dentro do Ofício, que vão desde o monoteísmo ao ateísmo. A Wicca também envolve a prática ritual da mágica, em grande parte influenciada pela magia cerimonial do passado, muitas vezes em conjunto com um código de moralidade liberal conhecida como a Wiccan Rede, embora não seja uma regra. Embora adorem o celta Cernunnos, símbolo da virilidade, e por vezes seja confundida com Satanismo, os wiccanos não crêem em Lúcifer ou em Satã.

Mãe tríplice é a deusa mãe dos celtas. É representada como três mulheres, cada uma segurando um objecto diferente, como um cão, um peixe e um cesto. Três era considerado um número sagrado para os celtas, daí as figuras triplas ou deuses de três cabeças.
A Lua (a Senhora do Destino) é a grande trindade feminina de Donzela, Mãe e Anciã. Os rituais Druídicos são sempre realizados em conjunção com as fases da Lua, e as druidesas (sacerdotisas), alinham o trabalho mágico, com os ciclos menstruais. A Senhora do Destino é consagrada ao dia 6 de janeiro.

Fases místicas da lua

A donzela/Nimué - o crescente lunar, virginal e delicado;
A mãe/Mari - a Lua Cheia, com seu ventre inchado de vida;
A anciã/Anu - a Lua em quarto Minguante, sábia e poderosa, que desaparece na noite escura da morte (Morrigan, a Lua Nova).

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Os Reis Plantagenetas


Entre 1154 e 1399, a Inglaterra foi governada pelos Reis Plantagenetas ou Angevinos. Esse nome deriva de uma planta, conhecida por "giesta" ("plant genet", em francês), e foi escolhido pelo Conde Godofredo V, de Anjou (de onde deriva o "angevino"), que viveu entre 1113 e 1151.
O casamento de Godofredo V com Matilde da Inglaterra, filha de Henrique I, fez com que os Plantagenetas chegassem à ilha britânica.
Houveram oito reis da Dinastia dos Plantagenetas, a saber:

1) Henrique II: nasceu em 1133 e governou de 1154 até 1189. Em seu Reinado organizaram-se os impostos e foi assassinado Tomás Becket, Arcebispo de Canterbury. Foi ele também que concluiu a conquista do País de Gales e da Irlanda;

2) Ricardo I ou Ricardo Coração de Leão: nasceu em 1157 e era filho de Henrique II e Leonor de Aquitânia. Foi educado em francês e participou da terceira Cruzada. Morreu em 1199;

3) João I ou João Sem Terra: nasceu em 1166 e faleceu em 1216. Era filho de Henrique II e Leonor de Aquitânia, assim como era irmão de Ricardo Coração de Leão. Impopular entre seus súditos, o Rei João foi obrigado a concordar com a Magna Carta (1215), que limitava os seus poderes. Aparece como vilão nas lendas de Ivanhoé e Robin Hood;

4) Henrique III: nasceu em 1207 e era filho de João I e Isabel de Angouleme. Em seu Reinado ocorreu a primeira sessão do Parlamento inglês, em virtude da Magna Carta. Morreu em 1272;

5) Eduardo I: nasceu em 1239 e era filho de Henrique III e Leonor de Castela. Em seu Reinado foi controlado o País de Gales (novamente) e a Escócia. E em 1290, ele expulsou os judeus da Inglaterra. Morreu em 1307;

6) Eduardo II: nasceu em 1284 e era filho de Eduardo I e Leonor de Provença. Antes de ser Rei da Inglaterra, foi o primeiro Príncipe de Gales, a partir de 1301. Acredita-se que era homossexual mas, mesmo assim, casou-se com Isabel de França e teve quatro filhos. Morreu em 1327;

7) Eduardo III: nasceu em 1312 e era filho de Eduardo II e Isabel de França. Subiu ao trono com 14 anos, quando sua mãe depôs seu pai. Quando completou 18 anos, ordenou a morte de seu padrasto e exilou sua mãe. Reconquistou a Escócia, que havia se libertado durante o reinado de seu pai. Sua pretensão ao trono francês deu início à Guerra dos Cem Anos (1337/1453). Morreu em 1377. Seu filho Eduardo, O Príncipe Negro, morreu um ano antes que ele, e Eduardo III foi sucedido por seu neto, Ricardo;

8) Ricardo II: nasceu em 1367 e era filho de Eduardo, O Príncipe Negro com Joana de Kent (era neto de Eduardo III). Ele não teve filhos e foi o último Rei Plantageneta. Morreu em 1400.


Imagem: Rei Eduardo III (1312/1377)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Seres Fantásticos na TV


Você já percebeu como as séries que retratam seres fantásticos têm feito sucesso na TV? Não? Então preste atenção...

Nos anos 50, 60 e 70, a moda era fazer filmes e séries com seres de ficção científica (Star Trek, Perdidos no Espaço, etc.) e super-heróis (Superman, Mulher Maravilha, Batman). Havia séries de seres fantásticos, mas geralmente em tom de comédia (Os Monstros, Jeannie É Um Gênio, A Feiticeira, etc.). Nos anos 80, essas séries deram lugar a outras mais de acordo com a realidade, sem fantasias...
Mas, de um tempo para cá, os seres fantásticos voltaram, e agora não mais em tom de fantasia...Já se admite a possibilidade de que seres fantásticos realmente existam, ao menos nas séries televisivas...
Antes de falarmos dessas séries, podemos pensar no porquê dessa guinada para o fantástico, para o sobrenatural...Será que estamos precisando de mais fantasia, em nossas vidas? Será que o desejo pelo mistério, pelo estranho, é que nos impele a gostar dessas coisas? Ou é apenas pura e inocente diversão?
A princípio, podemos lembrar do enorme sucesso que "O Senhor dos Anéis" fez, na trilogia baseada na obra de Tolkien: "A Sociedade do Anel" (2001), "As Duas Torres" (2002) e "O Retorno do Rei" (2003).
No mesmo ano que teve início a trilogia do "Senhor dos Anéis", estreou o filme "Harry Potter e A Pedra Filosofal", sobre um bruxo que convivia com humanos. Após o estrondoso sucesso dos livros, o filme teve enorme aceitação, rendendo mais de 900 milhões de dólares, e foi seguido por outros: "Harry Potter e A Câmara Secreta" (2002), "Harry Potter E o Prisioneiro de Azkaban" (2004), "Harry Potter e O Cálice de Fogo" (2005), "Harry Potter e A Ordem da Fênix" (2007), "Harry Potter e O Enigma do Príncipe" (2009) e o atual, que está em fase de produção, e será dividido em duas partes (2010 e 2011), "Harry Potter e As Relíquias da Morte".

Pouco tempo depois, teve início a série televisiva "Supernatural", no ano de 2005. Ela já está na sexta temporada, e continua fazendo sucesso...

A série Harry Potter já havia sido um prenuncio do "envolvimento" entre seres fantásticos e pessoas comuns. E em 2005, quando teve início a série Supernatural e Harry Potter estava no quarto filme, a escritora Stephenie Meyer lançou o primeiro livro da série "Crepúsculo".

Contando a história da jovem Bella Swam, que se apaixona pelo vampiro Edward Cullen, a escritora teve grande êxito de vendas, e logo os livros se tornaram filmes: "Crepúsculo" (2008), "Lua Nova" (2009) e "Eclipse" (2010). Para o ano que vem, já está previsto o quarto e último filme dessa sequência: "Amanhecer".

Para passar para a televisão, foi um pulo: em 2008, teve início a série "True Blood", baseada nos livros da escritora Charlaine Harris, que já teve três temporadas de sucesso, e se encaminha para a quarta...Essa série já teve vampiros, lobisomens, metamorfos, bacantes, fadas, e pelo jeito vem mais por aí...

E, ainda no quesito "seres estranhos" X "mortais", ainda podemos citar a série "The Vampire Diaries", sobre Elena Gilbert, que namora Stephan e é cabiçada pelo irmão dele, Damon. Baseado nos livros da escritora Lisa Jane Smith, essa série já teve vampiros, bruxas e lobisomens. Talvez ainda vejamos mais seres fantásticos...

Por estes exemplos, você pode ver que os seres fantásticos estão na moda, e têm movido milhões de dólares, em bilheterias e outros artigos, relacionados ao tema...

Imagem: bonecos representando os principais personagens da série "True Blood"

sábado, 2 de outubro de 2010

Criando Personagem de RPG

Após algum tempo afastada, retorno ao Blog, para analisar um dos assuntos que mais se discute nas Ilhas de RPG do Second Life: a criação de personagens em RPG.
Num post anterior (novembro de 2008), eu já havia abordado esse tema. Mas, na época, eu era "elfa" e usava o D&D para jogar, e também para fazer meus posts.
Agora, passados dois anos, posso dizer que já "evoluí" nesse quesito, e conheço também o Mundo das Trevas, que aposta em outra forma de criação...

Oras, vão dizer os mais astutos, mas ela pouco conhece de RPG e já tem a pretensão de fazer análises sobre o assunto....Para esses, eu digo que não é o conhecimento profundo de todos os sistemas de RPG que garantem a construção de um bom personagem, e sim a criatividade. A pessoa pode conhecer muito de RPG, mas se for pouco criativa, construirá um personagem pobre. Por outro lado, pode conhecer pouco de RPG, mas ser muito criativa. Quem ganha é o personagem e o jogo (e demais jogadores).

Na verdade, esse texto é mais uma tentativa de animar as ilhas de RPG, que tem se transformado em "ilhas de DCS". Nada contra o DCS, o Meter e outros sistemas de lutas. Mas, para esses que dizem não gostar de RPG eu pergunto: então porque você pertence a um grupo e adota um visual que não é seu? Se o que importa é lutar, então não precisaria criar um visual de vampiro, futurista, elfo, medieval, pirata, etc, não é mesmo?

Bem, paremos com esses "poréns", e vamos pensar no que interessa: como criar um personagem! Para isso, escolhi a imagem acima, retirada do filme "O Senhor dos Anéis" (2001).

Quando vamos assistir um filme, procuramos saber quem são os atores que irão participar dele. No caso do filme "Senhor dos Anéis", muitos atores eramd esconhecidos, e se tornaram famosos depois. Na sequência da foto temos:

1) Viggo Mortensen como Aragorn;
2) Ian McKellen como Gandalf;
3) Orlando Bloom como Legolas;
4) Sean Bean como Boromir;
5) Sean Astin como Samwise "Sam" Gamgee;
6) Elijah Wood como Frodo Baggins;
7) Dominic Monaghan como Meriadoc "Merry" Brandybuck;
8) Billy Boyd como Pippin;
9) John Rhys-Davies como Gimli.


E assim, temos formada a Sociedade do Anel, com dois humanos (Aragorn e Boromir), um elfo (Legolas), quatro hobbits (Sam, Frodo, Merry e Pippin) e um anão (Gimli). Também temos Gandalf, um mago, que aparentemente, é um humano com poderes.

Cinco "raças" ou "espécies" foram criadas aí, cada uma com religião, arquitetura, costumes, cultura, língua, idéias, arte, diferentes umas das outras. E os atores, por serem muito bons, personificaram essas "raças" com destreza e perfeição. Um exemplo disso: você consegue relacionar facilmente o personagem que o ator Dominic Monaghan fez em "O Senhor dos Anéis" com o que fez em Lost?

É claro que o texto de Tolkien ajudou muito, pois sem ele não seria possível para os atores criar seus personagens. A descrição foi importante, para que cada um "imaginasse" como seria seu papel, você não acha? No caso do RPG, o texto é o livro-base, que pode ser encontrado em sites e lidos quantas vezes for necessário.

Mas, nem tudo está descrito no livro. A linguagem de cinema é diferente da linguagem escrita, pois muitas coisas não estão descritas ali. Um exemplo disso são os hobbits. Os atores que interpretaram esses seres minúsculos não são pequenos. Mas tiveram que "entender" como seria dançar, lutar, pular, correr, para um pequeno hobbit. E isso não está explicitado no livro. Entra em cena o "laboratório", onde o ator precisa "compreender" a dinâmica de seu personagem, para que ele se torne o mais realista possível.

O resultado é um filme em que podemos "viajar" e acreditar que tudo aquilo é real. Você não vai imaginar o elfo Legolas mandando parar a luta porque o seu celular está tocando, não é mesmo?

Para um RPG ser perfeito, ou cada vez melhor, apontamos essas fases:

1) leitura do texto-base referente ao personagem que você pretende personificar;
2) preenchimento das lacunas (laboratório, para imaginar o que o livro não explica);
3) pesquisa de lugares, trajes, acontecimentos, para não falar bobagem;
4) trocas de idéias com outros que também personificam a mesma raça;
5) inserção total no personagem, nem que seja por 5 minutos. Nada de "vou pegar água" ou "o celular está tocando", durante o RPG.

Acredito que essas dicas possam ajudar os "leigos" a compreender melhor o que é um RPG e como deve ser um personagem de RPG...Bjs e até o próximo post....Saudades de meus amados...^^

domingo, 29 de agosto de 2010

Filme: Legião (2010)

Ontem assisti o filme "Legião", e resolvi fazer alguns comentários sobre ele...

O filme nos remete ao nascimento de Jesus Cristo, pois a trama gira em torno de uma criança que está para nascer. Mas, obviamente, esse não é o primeiro filme a tratar desse assunto. Lembro de vários outros filmes que tratavam do mesmo assunto, de O Bebê de Rosemary (1968) a Constantine (2005), passando pelo Exterminador do Futuro (1984).
Você pode dizer: "mas essas crianças não eram Jesus Cristo!" E eu respondo: mas eram crianças!
Hollywood, de tempos em tempos, procura fazer filmes onde crianças são mais do que simples crianças. Lembro-me do filme Os Meninos do Brasil (1978), em que o médico alemão Mengele criou clones de Hitler, para ressuscitar o Nazismo, e as crianças tinham que passar pelas mesmas situações que passou o "original", a fim de que a "experiência" desse certo...É a transformação da inocência em algo maligno...
Então, podemos ver que o fato de haver uma criança no centro das atenções não é em nada original.
Talvez, a originalidade desse filme esteja no fato de que os anjos não são bem o que pensamos deles...

O Arcanjo Miguel é o líder dos exércitos celestiais, padroeiro da Igreja Católica e preside o arrependimento e a justiça.
O Arcanjo Gabriel foi o que anunciou a Maria que ela teria um filho, Jesus. É o mensageiro de Deus, mas também é conhecido como o "anjo da morte". Teria sido ele também que trouxe a mensagem de Deus a Maomé, criador do Islamismo.

No filme, Gabriel faz o que Deus manda, enquanto que Miguel faz o que Deus precisa...Essa subjetividade complica um pouco o enredo do filme, se pensarmos num Deus onisciente e onipresente...Ele mesmo poderia ter resolvido a questão, sem precisar de anjos...E muito menos precisaria que os anjos discutissem suas ordens...

O mais estranho, talvez, nesse filme, é o fato de anjos se apossarem de pessoas, como se fossem demônios...

E a batalha do filme é aquela onde percebemos um toque de RPG: Gabriel, como bom Venator, possui asas de metal, que rebatem as balas da arma usada por Miguel (que, estranhamente, parece estar satisfeito em ter tirado as suas).

Em resumo, esse filme pode receber uma nota 6,0, mais pelas idéias sobre o caráter dos anjos e por nos dar idéias para RPG, do que pelo enredo do filme...

A Anarquia - 1135 a 1153

"Henrique I morreu na Normandia em Dezembro de 1135 de intoxicação alimentar provocada pela ingestão de lampreias estragadas. Matilde foi designada rainha de Inglaterra, mas o fato de ser mulher e casada com o angevino Geoffrey Plantageneta, Conde de Anjou, provocou uma insurreição popular instigada pelos nobres normandos. Estevão de Blois, sobrinho de Henrique, torna-se rei de Inglaterra dando início à guerra civil conhecida como a Anarquia".

A Anarquia: quando Matilde casou com Geoffrey, os nobres não aceitaram, e passaram a apoiar que Estevão de Blois, filho de Adela (irmã de Henrique) fosse o novo Rei.

Sem apoios em Inglaterra, Matilde virou-se para o rei David I da Escócia, seu tio materno, que em 1138 invadiu Northumberland em seu nome. A campanha não foi enérgica o suficiente e o exército de David foi derrotado em Agosto na batalha do Estandarte. Seguro no trono, Estevão deu-se então ao luxo de cometer alguns erros políticos que lhe custaram o apoio de alguns nobres importantes. Entre eles contava-se Roberto de Gloucester, que tomou o partido de Matilde no fim do ano.
Em 1139, Matilde entra em Inglaterra e toma o Castelo de Arundel, iniciando a guerra civil. Reunida com Gloucester, o seu exército tomou algumas praças importantes nos anos seguintes, sem que ocorresse uma batalha definitiva. Entretanto, o governo de Estevão mostrava-se cada vez mais fraco e incapaz de controlar as sucessivas insurreições populares.
A 2 de Fevereiro de 1141 ocorre uma batalha entre os partidários de Estevão e de Matilde. O resultado é uma derrota clara de Estevão que é feito prisioneiro em Bristol. Matilde passou então a controlar o país da sua capital em Londres e recusou o título de rainha, preferindo chamar-se Senhora dos Ingleses. A sua vantagem durou pouco tempo devido à atitude arrogante e à influência que Geoffrey Plantageneta detinha sobre ela. Em Setembro, Londres era já uma cidade cheia de inimigos e Matilde retira-se para Oxford. Na mesma altura, Roberto de Gloucester é apanhado por aliados de Estevão e ameaçado de morte. Matilde vê-se então obrigada a trocar o meio irmão pela liberdade de Estevão, que se apressa a recuperar a coroa e o controle do país. O exército de Estevão desloca-se então para Oxford, onde monta cerco ao castelo onde se encontrava Matilde, que só não é apanhada porque, segundo a lenda, fugiu sozinha a meio da noite atravessando os campos cobertos de neve. Matilde nunca mais recuperou a vantagem e em 1147 é obrigada a fugir para o Condado de Anjou, o feudo do marido.
Estevão recuperou a coroa mas não a autoridade ou a força política que nunca teve. O estado de caos generalizado propagou-se ao país, onde durante os anos seguintes não houve lei que fosse respeitada. Cronistas contemporâneos referem este período como a época em que Cristo e todos os seus apóstolos dormiram, o que resultou no nome de a anarquia pelo que a guerra é conhecida.
Nos anos seguintes, a saúde de Estevão foi piorando. O rei fez o que pode para legitimar as suas pretensões da sua linha à coroa inglesa e tentou coroar o filho Eustáquio IV, Conde de Bolonha em sua vida. O Papa proibiu-o e chegou mesmo a colocar Inglaterra sob um interdito pela ousadia da proposta.

Quando Eustáquio morre em 1153, as esperanças de preservar a linha dos Blois ruiram. Entretanto Henrique Plantageneta, o filho mais velho de Matilde e do Conde de Anjou, viu a sua oportunidade. Henrique, apesar dos 20 anos de idade, tinha um apurado sentido político e sabia aproveitar as suas oportunidades, ao contrário de Estevão. Pouco depois da morte de Eustáquio, invadiu a Inglaterra e em Novembro forçou Estevão a assinar o Tratado de Wallingford, onde o reconhecia como herdeiro.
Com a morte de Estevão no ano seguinte, Henrique torna-se rei sem oposição, iniciando a dinastia angevina (Plantagenetas) de reis de Inglaterra. Matilde nunca regressou a Inglaterra e retirou-se para Ruão.

domingo, 22 de agosto de 2010

Monumentos Históricos Ingleses

No post anterior, citamos alguns locais históricos da Inglaterra. Para ilustrar melhor o tema, resolvemos "conhecer" um pouco mais três deles:

1 - Abadia de Westminster: a Westminster Abbey fica na cidade de Westminster e é considerada a mais importante da Inglaterra, sendo o local de coroação dos monarcas ingleses.
Em 616, um pescador do Rio Tâmisa teve uma visão de São Pedro, e ali foi criado um local de culto. Em 970, São Dunstan de Canterbury criou ali uma comunidade de Monges Beneditinos. Entre 1045 e 1050, o Rei Eduardo, o Confessor, ordenou que ali fosse construída a Abadia. Ela foi consagrada em 1065 e ele foi enterrado ali.
Os reis Guilherme I (em 1066), Guilherme II (1087) e Henrique I (1100), foram os primeiros monarcas ingleses a ser coroados ali.

2 - Catedral de Winchester: essa Catedral começou a ser construída no século XI, quando Winchester era a capital da Inglaterra. Ela foi construída onde antes ficava um mosteiro de monges beneditinos, fundado em 642. Foi ali que o Rei Eduardo, o Confessor, foi coroado e é ali que está sepultado o Rei Guilherme II, entre outros.

3 - Castelo de Cardiff: ele fica na cidade de Cardiff, capital do País de Gales. Por volta do ano 55, ali foi construído um forte romano. O Castelo foi construído no mesmo local e a torre de arquitetura normanda foi construída em 1091. Seu prisioneiro mais célebre foi Roberto II, filho de Guilherme I e Duque da Normandia. Ele ficou preso ali entre 1106 e 1134.

Guilherme I e seus Filhos

Guilherme I, o Conquistador, nasceu em 1027 e morreu em 1087. Seu feito mais extraordinário foi o de conquistar a Inglaterra. Assim, o Duque da Normandia, vassalo do Rei da França e descendente de vikings, passou a ser o soberano inglês (a Tapeçaria de Bayeux, uma tapeçaria de cerca de meio metro de altura por setenta de comprimento, é uma homenagem à Batalha de Hastings, decisiva para a vitória de Guilherme).
Obviamente, nem todos aceitaram ter um normando como soberano, e durante seis anos, até 1072, ele se dedicou a derrotar os revoltosos. Foi ele também, que ordenou a construção da Torre de Londres, onde seriam aprisionados muitos nomes famosos, no futuro...
Guilherme I teve dez filhos, sendo que os mais conhecidos foram Roberto, Guilherme e Henrique.

Roberto II (1054/1134) era o mais velho e também o mais corajoso filho de Guilherme I e Matilde de Flandres. Mas tinha um temperamento intempestivo. Por isso, Guilherme I deixou o Reino da Inglaterra para Guilherme II enquanto que a Roberto coube o Ducado da Normandia.
Roberto não aceitou, e fez uma guerra contra o irmão mais novo. Por fim, os dois assinaram um Tratado, onde um seria sucessor do outro. Mas em 1096, Roberto II juntou-se à Primeira Cruzada, rumo à Terra Santa.
Em 1100, ele estava longe da Inglaterra, quando Guilherme II morreu, e seu irmão mais novo, Henrique, usurpou o trono inglês. Protegido pelo exército, e pela população, que não gostava de Roberto, Henrique acabou tornando-se o novo soberano inglês, através do Tratado de Alton.
Mais tarde, Henrique invadiu a Normandia (1105), derrotou Roberto II e o aprisionou no Castelo de Cardiff, onde ele ficou até a morte.

Guilherme II (1056/1100) era filho de Guilherme I e Matilde de Flandres e seu apelido era "Rufus" ("Ruivo"), por causa da cor de seu cabelo. Seu reinado foi difícil, pois ele teve que enfrentar várias revoltas internas, bem como ataques dos reis da Escócia. Em 1100, ele foi atingido por uma flecha no olho. Foi sepultado na Catedral de Winchester e não deixou herdeiros.
Segundo Tratado que assinou com Roberto, esse é que devia assumir o trono. Mas quem assumiu foi seu irmão mais novo, Henrique.

Henrique I (1068/1135) era filho de Guilherme I e Matilde de Flandres, e irmão de Roberto II e Guilherme II. Como era o terceiro filho homem, foi educado para o sacerdócio e não para ser rei. Talvez por isso, foi o único filho a aprender inglês.
Enquanto Roberto e Guilherme brigavam pelo trono inglês, Henrique se manteve à sombra.
Mas, quando Guilherme II morreu, em 1100, Henrique aproveitou que Roberto estava longe, na Terra Santa (Primeira Cruzada) e usurpou o trono inglês, sendo coroado na Abadia de Westminster. O povo inglês o apoiou, pois não gostavam de Roberto.
Assim, Henrique tornou-se Henrique I, Rei da Inglaterra e, em 1105, tomou o Ducado da Normandia de seu irmão, prendendo-o no Castelo de Cardiff.
Infelizmente, em 1120, o filho de Henrique e seu sucessor, Guilherme Adelin, morreu num naufrágio. Assim, ele nomeou sua filha Matilde como sua sucessora, e obrigou os nobres a lhe jurarem fidelidade.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Os Ainur e Arda, a Terra.

Quando Ilúvatar apresentou aos Ainur o que criaram, eles foram surpreendidos pelos filhos de Ilúvatar, pois ele também se dedicou a criar algo, enquanto eles produziam o tema musical que criou Arda, a Terra.
Os Ainur amaram os Filhos de Ilúvatar, pois eles eram diferentes e livres. Eles eram os elfos e os homens, os Primogênitos e os Sucessores.
Melkor, o mais poderoso dos Ainur, procurou imaginar que submeter os Filhos de Ilúvatar lhes faria bem. Mas, no fundo de seu ser, sentia inveja deles, assim como sentia do próprio Ilúvatar. Ele queria ter seus próprios súditos, que se submetessem à sua vontade...
Todas as coisas em Arda deixaram os Ainur maravilhados.

"Mas de todas era a água a que mais enalteciam. E dizem os eldar que na água ainda vive o eco da Música dos Ainur mais do que em qualquer outra substância existente na Terra; e muitos dos Filhos de Ilúvatar escutam, ainda insaciados, as vozes do Oceano, sem contudo saber por que o fazem..."

Mas, quem eram os Ainur? Além de participarem da criação de Arda, muitos deles foram ali morar, e foram divididos em Valar e Maiar. Os Valar tinham poder maior e os Maiar tinham poder menor, passando a servir os primeiros.
Os Valar (masculinos) e as Valier (femininos), são: Manwë, Ulmo, Aulë, Mandos, Oromë, Lórien e Tulkas (Valar), Varda, Yavanna, Nienna, Estë, Vairë, Nessa e Vána (Valier).
Desses quatorze, oito possuem maior prestígio e, por isso, são chamados de Aratar: Manwë, Ulmo, Aulë, Mandos, Oromë, Varda, Yavanna e Nienna.

de Rollo a Guilherme, O Conquistador

Rollo (846/932) foi o chefe viking que assinou o Tratado de Saint-Clair-sur-Epte com o Rei carlos, o Simples, em 911. Por esse tratado, ele se tornou líder da Normandia, provavelmente um Duque.
Segundo a tradição feudal, os duques eram vassalos dos reis, e lhes deviam obediência. Assim, Rollo passou a ser fiel ao Rei. Ele também é identificado como Roberto I.
Por volta de 927, ele passou o título de Duque para seu filho, William I Longsword (também conhecido como Guilherme I).
Guilherme I (893/942) era filho de Rollo e Poppa, e nasceu como cristão (Rollo se convertera em 911). Seu sucessor foi seu filho, Ricardo I.
Ricardo I (933/996) era filho de Guilherme I e Sprota. Ele era um menino quando seu pai morreu, e não conseguiu impedir que Luís IV (filho do Rei Carlos, o Simples), invadisse a Normandia e o prendesse. Somente em 947 ele recuperou a Normandia. Seu sucessor foi seu filho, Ricardo II.
Ricardo II (970/1026) era filho de Ricardo I e Gunnor, assumindo o Ducado da Normandia em 996. E o filho de Ricardo II, também de nome Ricardo, foi seu sucessor.
Ricardo III (997/1027) era filho de Ricardo II e Judith. Sem casar e sem ter filhos, Ricardo III governou durante pouco tempo (cerca de sete anos) e morreu, sendo sucedido por seu irmão, Robert.
Robert I (1000/1035) era filho de Ricardo II e Judith. Assumiu o Ducado após a morte de seu irmão, em 1027 (existe a suspeita de que ele tenha matado o irmão). Seu sucessor foi seu filho, Guilherme.
Guilherme II (1028/1087) era filho de Robert I e Herleva. Quando seu pai morreu, em 1035, ele assumiu o Ducado da Normandia. Em 1053, casou com Matilda de Flandres, tendo dez filhos.

Em 1066, morreu o Rei Eduardo, o Confessor, de Wessex (um dos Reinos Ingleses), sem deixar herdeiros ou sucessores. Assim, surgiram três pretendentes ao trono:
a) Harold Godwinson, Conde de Wessex;
b) Harald III da Noruega (Harald Hardrada);
c) Guilherme II, Duque da Normandia.

Guilherme se apoiava no fato de que sua tia-avó Emma (irmã de Ricardo II) havia sido mãe do Rei Eduardo. Mas, enquanto ele contestava seu direito, foi coroado Harold Godwinson.
Como o Papa Alexandre II o apoiava, Guilherme II organizou um exército e partiu em direção à Inglaterra. Após inúmeras batalhas, Guilherme II conquistou a Inglaterra e, no Natal de 1066 foi coroado como Rei da Inglaterra. Ele passou a ser conhecido como Guilherme, o Conquistador, ou Guilherme I da Inglaterra.